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O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus 25, 09, 2010

Posted by varall in Estenda Cine.
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O último trabalho de Ledger, o sempre subestimado Gilliam, ou: O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus.

No próximo dia 22 de Novembro um dos diretores mais pirados do cinema, Terry Gilliam, completa 70 anos. E apesar do que muitos pensam, inclua-me nessa lista, ele não é ingles, é Americano e escreve mais roteiros, seja adaptados ou originais, do que exerce o ofício da direção em cinema.

Dono de um jeito originalíssimo de trabalhar – cenários grandiosos, roteiros surreais e um toque pirado de humor nas tramas paralelas – Gilliam se tornou famoso ao realizar filmes e séries de TV com o grupo britânico Monthy Python – o mais conhecido é o já clássico “Em Busca do Cálice Sagrado”.

A sequência de filmes do diretor é invejável e estão distanciados por anos e anos de pré e pós-produção, já que são hiper elaborados e possuem cenários gigantescos e efeitos mecânicos de primeira. São eles:
A aventura medieval “Jabberwoxky, Um Herói por Acaso” (1977), o louco “Os Bandidos do Tempo” (1981), o inclassificável “Brazil” (1985), o premiado “As Aventuras do Barão de Munchausen” (1988), o drama “O Pescador de Ilusões” (1991), o filme que trouxe respeito ao trabalho de Brad Pitt “12 Macacos” (1995), o melhor papel já de Johny Depp “Medo e Delírio em Las Vegas” (1999), o visualmente deslumbrante “Os Irmãos Grim” (2005) e o praticamente inédito no Brasil “Contraponto” (2006).

Após estes dois últimos filmes citados, Gilliam tentou dar vida, mais uma vez, ao seu eterno projeto “O Homem que matou Don Quixote”. Que mais uma vez naufragou e lhe fez produzir o excelente “O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus”, que ficou mais conhecido como “o último filme de Heath Ledger”.

A história:

Dr. Parnassus (Christopher Plummer) era um monge que foi tentado pelo capeta “Nick” em pessoa (excelente atuação de Tom Waits) que lhe propôs a possibilidade de ter a vida eterna. Ambos cumprem suas partes e alguns séculos depois, o já envelhecido, mas imortal Parnassus, acaba se apaixonando por uma jovem.

Ele recorre ao “Nick” novamente e faz um novo pacto: a vida de seus filhos, quando os mesmos completam 16 anos, pela jovialidade necessária para conquistar a moça. A mulher de Parnassus morre ao dar a luz (com 60 anos!) a uma menina.
É depois de tudo isso, nos dias atuais, que encontramos Parnassus e sua trupe: um anão, sua filha – a ex-modelo Lily Cole – e um apresentador – encarnado por Andrew Garfield, o próximo Homem Aranha. Eles fazem pequenas apresentações no meio da rua, sem muito sucesso.

O problema começa quando Nick vem cobrar seu pagamento: a linda Valentina, que está a dois dias de completar seus 16 anos. Em meio a isso tudo, descobrimos que Parnassus possui um poder incrível: o seu “Imaginarium”, uma realidade alternativa, dentro da mente do Dr. que muda a cada pessoa que entra em contato com a mesma – passando por um espelho que compõem o cenário do espetáculo.

Heath Ledger

Tony (Heath) é resgatado pela trupe após ser encontrado enforcado sob uma ponte da cidade. Ele não sabe quem é, mas acaba se tornando parte do espetáculo, como o bilheteiro. A atuação de Ledger não é sublime, mas agrada, nada que ele não tenha feito antes. Talvez o grande segredo da sua carreira é o seu companheirismo: ele está com o elenco, faz parte do show.

Depp, Law e Farrell
Gilliam se deu bem quando decidiu gravar todas as participações de Ledger – o que abasteceu todas as cenas “do tempo real”. Com isso, o espectador não estranha a substituição do ator por outros quando o seu Tony adentra o mundo criado por Parnassus. Depp arrebenta, Law se diverte e Farrell, mais uma vez, faz bem seu trabalho.

Plummer, Cole e a Direção de Arte/Figurino

Este é o trio responsável pela melhor parte do filme.
Plummer está em um papel realmente pensado pra ele: um ator que sabe o que tem que fazer, sem exageros e que realmente se diverte pela lembrança de Gilliam em chamá-lo para o filme – nos extras ele diz que o diretor falou que precisava de um ator veterano que ainda soubesse falar um texto;
Lily Cole tem mais a mostrar do que parece. Ela é bem mais do que uma bela imagem – impressionante como ela lembra o jeitão da sempre maravilhosa Christina Ricci – e arrebenta em cenas com pesos pesados do cinema mundial. Não se espante se Cole surgir em filmes de Fincher, Nolan e Burton daqui pra frente.

Se você acompanha o trabalho do mestre Gilliam sabe que ele sempre priva por uma direção de arte impecável e figurinos sensacionais. É sempre bom lembrar que seus filmes receberam nada menos que 04 (Brazil, Muchausen, O Pescador, 12 Macacos e Parnassus) indicações a melhor direção de arte no Oscar.

Em Parnassus há a melhor junção de arte e efeitos especiais de todos os filmes do diretor. As cenas em que os atores convidados passeiam pelo mundo imaginado pelo ex-monge são de cair o queixo, em Blu-Ray então, chega a ser embasbacante te tão bem feito.

O que mais falar?

Gilliam merece respeito, em minha opinião nunca obteve.
Se várias campanhas de publicidade hoje se aproveitam de cenários imensos e complexos, com personagens vestidos de forma extravagante e cada vez mais o surrealismo ganha páginas e mais páginas de jornais mundo a fora, muito se deve ao trabalho já realizado pelo mestre TG.

Que com certeza será mais um daqueles grandes diretores que sempre foi ignorado por premições dentro da sua casa e que, infelizmente, receberá os devidos créditos quando morrer. Filmão, entre os melhores do ano, com sobras!

Nota 9,0!

Por Rodrigo Castro

Assista o Grande Lebowski. 19, 09, 2010

Posted by varall in Estenda Cine.
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Antes dos irmãos Coen serem aclamados pelas maiores premiações mundiais de cinema – como Oscar e Globo de Ouro, ou seja: antes de “Onde Os Fracos Não Têm Vez”, única adaptação feita pela dupla Ethan e Joel – eles eram tachados de excêntricos pelos seus filmes, histórias e principalmente, por seus personagens.

Tecnicamente eles sempre tiveram grandes profissionais em suas equipes e se destacaram por fazer um trabalho diferente dos demais diretores e criadores do mercado Americano. O “excêntrico” na verdade tem outro significado quando possui o sobrenome Coen em seus créditos: originalidade.

Poucos diretores e produtores do bom cinema americano podem falar que fizeram, de próprio punho, uma sequência de filmes tão bons como “Gosto de Sangue” (1984), “Arizona Nunca Mais” (1987), “Ajuste Final” (1990), “Barton Fink” (1991), “Na Roda Da Fortuna” (1994) e “Fargo” (1996). Filmes interessantes, violentos e ao mesmo tempo donos de cenas emblemáticas e personagens marcantes.

Dois anos após o “sucesso” alcançado com “Fargo”, a dupla engrenou mais um conceito que se tornou roteiro e virou um dos filmes mais loucos, intransigentes e engraçados da dupla, o interessantíssimo “O Grande Lebowski”. O trunfo desse filme merecer ser relembrado e até (re) visto por você – e fazer parte da sua DVDteca – passa por uma sequência de fatores.
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História: nada como contar um pouco da vida de um cara que não faz nada da vida, não é mesmo? Afinal de contas, os americanos sempre têm algo para fazer de suas vidas, menos “Dude” (Cara), ou melhor Lebowski – encarnado com maestria por Jeff Bridges – o tipo de cara que é capaz de dar um cheque de 69 centavos por um leite em um supermercado.

“The Dude” ou “O Cara” é confundido por dois cobradores de dívidas que arrebentam com ele, em seu próprio vaso sanitário e em seguida urinam em seu único tapete. Sabendo que o Lebowski que os brutamontes foram cobrar não era ele, o seu xará “era para ser rico” como fala um dos cobradores, “Cara” vai cobrar um novo tapete do verdadeiro devedor.

A partir daqui o filme mergulha numa verdadeira confusão de nomes e personagens que é impossivel não pensar no quanto os Coen devem ter se divertindo escrevendo esse roteiro.

Liberdade: sabe aquela máxima que os mais antigos vivem afirmando para os jovens: “Liberdade não se dá. Se conquista!”? Os Coen não batalharam tanto assim para conquistá-la, já que vários dos seus trabalhos saíram pelo mesmo estúdio “o pequeno celeiro de autores independentes”, a Miramax, dos também irmãos Weinstein.

Foi com total liberdade para fazer um filme sem compromisso com o lucro ou com premiações que os Coen sentiram confiança para traçar os caminhos, por vezes loucos, de “Cara” e sua trupe de amigos e demais personagens. Essa confiança acabou chamando atenção de atores consagrados ou recém promovidos a revelações do cinema moderno.

Elenco: digamos que você pegue a capa de um DVD e se depare com nomes como Jeff Bridges, John Goodman, Steve Buscemi, John Turturro, Philip Seymour Hoffman, Julianne Moore e Sam Elliot, como diabos não levar esse possível filmão para casa? Ainda mais com os Coen na liderança da história a ser contada.

Todos os relacionados acima não só estão no filme como transformam seus personagens em seres comuns, mesmo na sua maioria, sendo pessoas diferentes das demais que estão no mesmo planeta que nós – eu e você leitor.

Há um veterano do Vietnã totalmente equivocado e perturbado (talvez o melhor papel de Goodman), um amigo comum que sempre é espizinhado pelos demais (Buscemi), um jogador louco e, esse sim, excêntrico (Turturro, engraçadíssimo), um engravatado puxa-saco sentimental (Hoffman), uma artista plástica que só pensa em sexo (Julianne), um narrador cowboy (Elliot) e o vagabundo do título, que por si só, já é um personagem significante.

Todas essas feras juntas acabam por transformar “O Grande Lebowski” em um filme divertido e que merece maior respeito por parte da crítica e até mesmo do público, ainda mais se você foi conquistado por “Onde Os Fracos Não Têm Vez” e quer conferir os demais trabalhos dos irmãos. Recomendável até demais. Nota 9,0.

por Rodrigo Castro