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ENTREVISTA DO MÊS: Márcio Holanda 2, 12, 2009

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A entrevista exclusiva deste mês é com o Diretor de Arte para mídias interativas e digitais da OgilvyInteractive Itália, Márcio Holanda. Márcio é natural do Pará, mas se  formou em Comunicação pela Universidade da Amazônia e tem pós-graduação em Design Gráfico pelo Senac de São Paulo. Ele já criou para marcas como Motorola, American Express, Nescafé, Coca-Cola, Volvo, SAP, ABN Anro Bank, Banco do Brasil, Gerdau, Fiat, entre outras.

Dá só uma olhadinha nos prêmios do moço:

1 Gold Lion – Cyber Lions Cannes Festival
6 Shortlist – Cyber Lions Cannes Festival
1 Bronze – The One Show Festival
1 Finalist – New York Festival
1 Merit – London Festival
1 Gold – El Sol de Iberoamérica
1 Silver – John Caples Festival
1 Merit – Art Directors Club Festival NYC
2 Silvers – Sao Paulo Creative Club
1 Bronze – Circulo Creativo de Mexico

Eu aproveito o espaço para agradecer, em nome do blog Roupa no Varal,  a simpatia e a atenção do Márcio.

Agora você, leitor, confere abaixo mais uma entrevista que vai entrar para a história do nosso blog. Boa leitura!

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ENTREVISTA COM MÁRCIO HOLANDA


VARAL –
Atuando na Europa e na América Latina, como você vê as diferenças entre estes mercados em relação às mídias digitais?

MH- A principal diferença, pra mim, está no “hardware” da coisa. Na Europa e em todos os países desenvolvidos, o acesso aos meios digitais se dá em maior escala e com maior qualidade. Computadores mais avançados e conexoes de banda larga mais abrangentes e potentes fazem uma diferença muito grande para o tipo de projeto digital que se pretende desenvolver. No Brasil, por exemplo, o custo da banda larga e sua má quaildade de transmissão de dados limitam muito o uso de ferramenta como videos em alta qualidade. Aqui na Itália, por exemplo, a partir de 1o. de dezembro a transmissão de TV só será em digital.


VARAL –
Com tantos canais novos surgindo, a que você acha que o profissional deve ficar atento na área de mídias digitais e interatividade?

MH- Essa pergunta me faz lembrar uma situação vivida. Certa vez um amigo que trabalha comigo e que é atendimento me diz que gostaria de aprender a usar Flash. Respondo que o mais importante, para ele, é entender a lógica de como a coisa funciona, e deixar a parte “to do” para os criativos. E com esse princípio, menos tecnoquês e mais filosófico, será fundamental para o novo profissional que prentende trabalhar no mercado digital. Numa agência de propaganda, assim como eu acredito que o criativo deve saber um básico de business e administraçao de negócios, clientes etc., o profissional de atendimento também deve conhecer a lógica de como os meios digitais funcionam. Isso vale também para aqueles que pretendem ser o cliente, nos departamentos de marketing das empresas. Isso requer estudo e um certo histórico de vida. Aprender e entender o mundo digital é muito mais fácil para aqueles que jogaram Atari na infância ou que trocaram a festa de 15 anos por um computador.


VARAL –
Qual o cenário que você enxerga para o futuro do setor na questão do investimento por parte do cliente, principalmente no Brasil? Há uma abertura maior para o investimento em campanhas baseadas em mídias digitais?

MH- Eu não conseguirei responder sobre o Brasil com precisão porque já estou fora do país há mais de 3 anos. Mas numa coisa acredito: os mercados estão muito uniforme, intrelaçados. Basta recordar os reflexos da crise que afetou a todos os paises. Por isso o que acontece aqui fora, de certa forma, deve estar acontecendo no Brasil. Sim, as empresas estão investindo mais em digital. E o mais interessante é que os investimentos estão misturados entre as mídias “tradicionais” (TV, radio, jornal) e as digitais. Há 5-6 anos, tudo era muito separado e especializado, onde a internet era um objeto a parte. Hoje não. As pessoas dedicam suas vidas num mesmo grau de intimidade que elas têm com a TV.



VARAL –
Onde você busca referências criativas para o seu trabalho? Quais são suas influências?

MH- Parece meio piegas, mas é no que acredito: a melhor referência é a vida. Quero dizer, olhar as pessoas, conversar mais, sair mais, conhecer mais, viajar mais. Pegar buzão é ótimo para saber o que as pessoas usam, comentar, consomem, porque o meu trabalho vai diretamente para essas pessoas. Quer um exemplo? Tenta escutar uma conversa (ou gritaria) de adolescentes dentro do ônibus. É uma experiência quase antropológica sobre a forma de pensar, de expressar, de consumir, bem diferente da minha adolescencia há 15 anos.
Agora, respondendo de uma forma mais prática, gosto do Favourite Websites Awards (www.thefwa.com). Ali se encontram os trabalhos mais recentes e bacanas no meio online, inclusive digo que ali é um pré-Cannes. E aproveito a oportunidade para expor a minha crítica: creativos, párem de olhar Archive, o supra-sumo do trocadilho barato e débil da publicidade. Essa revista é uma praga dentro das agências.


VARAL –
Hoje vemos alguns diretores de arte que dão mais importância para a parte de execução, ou seja, no uso do software, do que realmente ao aprendizado da teoria. Qual sua opinião?

MH- Diretores de Arte: párem de olhar Archive.


VARAL –
Quais as suas dicas para quem esta começando na área?

MH- Estudar, ler, ver, conhecer. Bagagem cultural faz uma diferença enorme para quem quer criar, porque o processo de criaçao em propaganda nada mais é que transformar conhecimentos em idéias. Tenho um amigo italiano que nunca comeu nada que nao fosse comida italiana. Triste, não?
Lembro de quando eu comecei na área e li as dicas do velho e bom “Manual do Estagiário”, do Eugênio Mohallen. Você deve estar esperto, jamais espertinho nem espertalhão.


VARAL –
Quais os principais desafios que a direção de arte voltada para a área digital enfrenta?

MH- Hoje vejo que mais do que nunca a questão da usabilidade é mais forte. Isso significa em “less is more”, em pensar sempre no usuário em primeiro lugar. A interface gráfica do iPhone, Android ou Wii são ótimos exemplos.

Dicas da Entrevista de Dezembro 1, 12, 2009

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Continuando com as nossas dicas…Nosso entrevistado de dezembro:

1) Trabalha há dez anos para clientes como Motorola, American Express, Nescafé, Coca-Cola, Volvo, SAP, ABN Anro Bank, Banco do Brasil, Gerdau, Fiat…

2) Criou essa peça pra Nestle:

E aí, descobriu? Então comente este post.

A entrevista exclusiva para o Varal você confere na quarta-feira, 02/12.

DICAS DA ENTREVISTA DE DEZEMBRO… 30, 11, 2009

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Eu desafio você, caro leitor, a descobrir quem é nosso entrevistado exclusivo de dezembro… Mas, para isso, vou dar três dicas:

1) O cara já trabalhou no Brasil, México e agora está na Itália …

2) Ele é diretor de arte em mídias digitais e…

3) Criou essa peça pra Fiat, que foi finalista no  London Festival, ouro no MM Online Brasil e prata no Clube de Criação de São Paulo:

E aí, descobriu? Então comente este post.

A entrevista exclusiva para o Varal você confere na quarta-feira, 02/12.

Johane estende a sua entrevista no Varal 17, 11, 2009

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1. Como você se interessou pela área de comunicação? Conte um pouco sobre sua trajetória?

Tudo começou pelo meu pai, ele era cronista esportivo e trabalhou nas principais rádios de Manaus, Bélem, Teresina. Ele gostava, tinha prazer, mesmo tendo uma carreira executiva na antiga empresa de filmes fotográficos Sonora e mais tarde sendo empresário. Ele foi uma grande influência na escolha da minha carreira. Já na minha adolescência fiquei na dúvida em ser jornalista ou ser publicitário, optei a segunda, mas pretendo fazer o curso de jornalismo, tenho a ambição de atuar no jornalismo esportivo. Em 1998 ingressei no curso de Publicidade pela Faculdades Objetivo (atual Uninorte), durante a minha carreira acadêmica as oportunidades surgiram, meu início foi estagiando brevemente na Luna, infelizmente não foi bom, mas comecei ali. Então, aprendi e segui a carreira de editor de som e imagem na própria faculdade, com ela eu me sustentava pagando metade da mensalidade. Fui a TV Manaus (hoje TV Em Tempo) a convite do Luciano Maia como operador de programação e na Kintaw Publicidade, onde de fato a minha carreira começou a ser consolidada e na qual tive o privilégio de participar do início empreendedor do Epifânio Leão e do Marciclei Rêgo, pessoas que as considero competentíssimas e as admiro muito. Formei-me em 2002, mas logo aventurei-me em Porto Velho, na VIP, onde fiquei responsável na criação e no planejamento da conta da rede de supermercados Super Bem. Foi breve, mas foi válido para o meu conhecer no mundo do varejo. Após formado e ter retornado a Manaus, o professor Everton Arruda na época coordenador do curso de publicidade convidou-me a ser professor do Objetivo. Era um dos meus desejos e foram 5 anos maravilhosos na minha carreira acadêmica, além de lecionar por 1 ano na UNIP. Nesse meio tempo assumi a gerência de operações na Jomeri Propaganda, mesma função que exerci na Senior, fui sócio e diretor de criação da Proposta Comunicação e gerente de marketing da Unipar Participações. Fiz minha especialização em Metodologia do Ensino, porque era importantíssimo estar preparado para encarar uma sala de aula. Agora estou na área de Planejamento, e também sendo um dos redatores da agência Principal Publicidade, além disso sou mestrando em comunicação da UFAM, breve estarei concluindo e logo pretendo seguir o doutorado.

2. Para você, o que é um profissional de atendimento?Quais as qualidades que o mesmo deve possuir?

Ele é uma ponte do relacionamento cliente x agência. É o profissional que exerce a função de conhecer os problemas de comunicação do cliente e transmitir de maneira exata estes problemas para que toda a agência possa desenvolver eficientemente a sua publicidade. As qualidades desse profissional é conhecer as rotinas e o funcionamento da agência onde trabalha, ter uma visão ampla sobre todo o processo de propaganda e ter um conhecimento necessário de marketing para que possa compreender mercadologicamente as necessidades do seu cliente.

3. O que você acha fundamental para um boa prospecção?

Siga os conselhos de David Ogilvy (fundador da agência Olgilvy), se você quer conquistar um cliente, estude-o, entenda o ramo que ele atua, conheça os seus concorrentes, proponha novas idéias. O que o cliente mais quer é uma agência que o conheça e que apresente novas idéias, que não fique esperando por ele pra fazer um pedido. Agência inteligente, de vanguarda é aquela que tem no seu atendimento a busca do diferencial, o que sempre irá apresentar idéias, intercambiar conhecimentos com seus clientes e não ser um mero anotador de pedidos.

4. Qual a sua opinião sobre os profissionais de Atendimento de Manaus?

Sinceramente, devemos analisar macroscopicamente a questão atendimento, digo isso em todos os setores que atuam no mercado local porque são pífios. O empresariado tem se esforçado nesse quesito, mas a má educação de base e nos outros níveis de ensino deixa um verdadeiro fosso, um problema sério. Vemos clientes maltratados, uma força de venda mal preparada, mal qualificada e que apenas se esforça em vender o produto por mera necessidade de garantir sua comissão. Estão péssimos na pré-venda, ruins na venda e horríveis na pós-venda. Sabemos que não adianta investir milhares ou milhões de reais em uma campanha, se esse consumidor é maltratado pela sua equipe de vendas. As empresas precisam focar mais o seu marketing, principalmente na seleção de pessoal e no cuidado da sua imagem. A partir daí, você tem idéia como isso reflete na nossa área. Infelizmente esta área tem uma mão-de-obra muito mais anotadora de pedido, que não sabe montar um briefing, um job e tampoco busca participar do processo produtivo publicitário. O negócio é vender, vender, vender. Culpa disso vem por parte dos próprios donos de agências que não se preocupam que nós publicitários não vendemos, mas participamos de um amplo processo na geração de negócios dos nossos clientes. O nosso papel é buscar soluções de comunicação para a sua venda, é trazer o público pra sua loja, despertar o interesse e o desejo de consumo.

5. Sei que você também já trabalhou como profissional de Planejamento em algumas agências. Como planejar em um mercado imediatista como o nosso?

Eu ainda trabalho, não largo esse osso, mesmo atuando como redator (risos)!!! O imediatismo faz parte da cultura empresarial brasileira, isso porque grande parte dessa geração veio de uma cultura inflacionária que fazia com que as pessoas fossem mais rápidas e dinâmicas a lidar com situações adversas, por isso buscamos ser rápidos, imediatos em não perder as oportunidades. O mercado local segue essa lógica, porém, demorou pra entender que deveria desenvolvê-la, os empresários acomodaram-se quando tinha a Zona Franca no comércio, até que veio as mudanças econômicas que tiraram os privilégios comerciais do empresariado local, aí tiveram de se adaptar para sobreviverem. Conseguiram, mas voltaram a se acomodar e agora estão se mexendo novamente porque as grandes marcas do varejo e de serviços estão chegando na cidade e vem com grandes estruturas de venda e um aporte de marketing enorme, as empresas locais estão montando seus departamentos de marketing, mas a maioria ainda peca, acha que é apenas um setor pra cuidar da comunicação com a agência de publicidade. Marketing não é só propaganda, é ponto de venda, é produto, é preço, é concorrência, é cliente!!! Eu consigo planejar porque procuro informação, acompanho a tendência, o comportamento do mercado, isso é o básico pra quem trabalha nesse setor, devemos ser integrados com o mídia, com a criação. As agências de publicidade também estão aprendendo a ter o seu “cerebral” , o que cuida de maneira integrada a comunicação com o marketing do cliente. O mercado local funciona nessa base desde os tempos da borracha, para mudar é preciso levar pancada de alguém que vem de fora e quebra as pernas de todo mundo.

6. O que é mais difícil? Conquistar um cliente ou mantê-lo dentro da agência?

Diria que é relativo, por que cada fase tem suas condições. Como disse anteriormente citando Ogilvy, a agência que quer um cliente deve mostrar que entende sobre ele e tem idéias novas. A agência que não fizer isso sempre penará em conquistar um cliente. Manter o cliente é uma questão da agência ter a mesma visão da conquista, ou seja, sempre vê-lo como um novo cliente, porque você terá sempre novas idéias. Quando a agência deixa de ver o cliente assim, é sinal para sair dessa relação de maneira honesta ou dialogar sobre isso com o cliente para reativar a chama da novidade criativa. Isso é saudável e o cliente perceberá que até nos problemas de relacionamento com ele, a agência tem um carinho com a sua marca (e com a dele própria é claro). Não há mais digno numa relação agência x cliente do que o diálogo e o reconhecimento dos fatos.

7. As faculdades realmente preparam os alunos para as necessidades que o mercado exige? Se não, o que deveria ser feito para mudar?

Vejo que não são preparados de uma maneira coerente ao mercado. O curso precisa ser mais interdisciplinar, os professores tem que integrar suas disciplinas para uma atividade, hoje é muito trabalho pra fazer e pouca qualidade para avaliar. Cada professor passa o seu trabalho, é errado! Na interdisciplinaridade você tem um trabalho de qualidade para todas as disciplinas. Os trabalhos de grupos devem ser valorizados, mas também deve haver rotatividade, tem que acabar essa coisa de equipe pra todos os trabalhos, os alunos devem ser preparados a trabalharem em grupos diferenciados, fazer com que suas atividades sejam um trabalho, um job, simular o universo publicitário, na hora que eles entrarem no mercado, não poderão escolher o “coleguinha” para trabalhar, tem que aprender a conviver com as diferenças de personalidades, de idéias, de modos de pensar. Idéias boas vem do brainstorm de diversas cabeças diferentes, se for pra fazer uma agência onde todo mundo pensa igual é melhor trabalhar em uma fábrica de montagem. Outro fator, que algumas instituições acabaram com as bancas de avaliação de projetos finais, isso é um erro gravíssimo! As bancas devem voltar e de preferência que um profissional esteja avaliando. É importante, isso dá peso conceitual a instituição e ao processo avaliativo do MEC, com esse modelo os alunos sentirão como devem proceder os seu projetos profissionalmente. As faculdades devem estimular o aluno a conhecer que propaganda não é um redator e um diretor de arte, ela é mídia, é planejamento, é opec, é atendimento. Exemplo disso é o Álvaro Neto que foi estagiário da agência e descobriu que o forte dele estava como mídia, trabalhamos o potencial dele e hoje é o nosso profissional que negocia, entra em contato com os clientes, veículos, fornecedores. É um talento. As faculdades tem que gerar de maneira constante um contato com o mercado, há um distanciamento do mundo acadêmico com as agências, veículos e anunciantes, os alunos estão muito naquele noir de que a nossa área é um mundo glamouroso. Sinto falta de grand-prix universitários, chamar as agências para terem essa interlocução com o mundo acadêmico, elas tem interesse em criar essa rede de relacionamentos, mas precisamos desse start das faculdades, mas vejo que isso logo será feito, até porque é de fundamental importância pra que os alunos se encontrem no que são e no que pretendem crescer.

8. Quais livros você indica para quem tá começando e queira se aprofundar mais sobre o assunto?

Recomendo Confissões de um Publicitário de David Ogilvy, Planejamento e Atendimento: A Arte do Guerreiro do Flávio Ferrari; Planejamento de Propaganda e Atendimento na agência de Comunicação ambos do Roberto Corrêa; Propaganda do Francisco Gracioso e um livro obrigatório para ter a noção das questões legais da nossa atividade que é O Pubiclitário Legal do Roberto Schultz.

ENTREVISTA – Renato Bagre 30, 09, 2009

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Olá leitores!

O Varal entrevistou exclusivamente o publicitário Renato Bagre, Presidente e Diretor de Criação da R2.  Confira abaixo e comente!

m&m

VARAL- Para começar, conte um pouco como você começou a sua carreira.

Comecei em 1989 na Íris – estagiário de redação – na agência do Roberto Evangelista. No ano seguinte fui pra Saga e tive como Diretor de Criação o Luiz Siqueira, cara que eu  admiro.

Quase reprovo no colégio, porque pirei com Publicidade. Então sai, terminei os estudos formais e voltei correndo, só que dessa vez fui pra Oana.

Cheguei lá, fui bem recebido pelo Edmar Costa, cara fodão. Pra mim um dos melhores. E lá passei 15 anos. Nesse tempo fiz estágio na DPZ, fui júri do Festival de Gramado, palestrei na Semana de Comunicação da Rede Amazônica ao lado de Lula Vieira. Fiz pós na ESPM e conquistei uma pá de prêmios, me tornado um dos profissionais mais premiados do Norte – Nordeste do país.

Sai da Oana em 2005, numa boa. Em 2006 foram mais de 25 prêmios conquistados com campanhas minhas – lançamento do Portal da Prefeitura, inauguração do Shopping Millennium, incluindo um Vox Populli da Revista About. Até hoje mantenho amizade com o Edmar, Edson e Ernesto, com quem aprendi muito do pouco que sei hoje.

VARAL- Você é redator. Qual a dica que você dá pra quem tá começando em redação publicitária?Porque o nome R2?

Sou um operário das palavras. Redijo há 21 anos. Gosto muito das idéias ganhando asas. Redijo pra tudo – pra música – sou bi-campeão do Fecani. Pra teatro – tenho várias peças teatrais escritas e prontas para produção. Pra literatura – estou escrevendo meu primeiro romance – Memória da Água. Ou seja: busco produzir exaustivamente. Também dou consultoria pra agencias parceiras da R2, porque entendo que a concorrência tem que valer a pena, que ninguém chuta cachorro morto.

A dica minha é simples: leia muito, tudo e trabalhe mais ainda. Ter idéias é o exercício diário é a labuta. E afaste o medo. Angústia é o combustível. Ela vai existir sempre em nossa profissão.

O nome R2 vem de– Renato e Ricardo – irmão e sócio. Simples assim.

VARAL- Qual o posicionamento da R2? O que ela tem de diferente das outras agências da cidade?

Costumo dizer que a R2 é um Fusca com motor de Ferrari. Pouca pompa, muita substancia.

Somos inquietos. Pesquisamos tudo, lemos tudo. Discutimos tudo. Mexemos em tudo. Mas não usamos terno. Usamos jeans  e tênis e camiseta. As vezes, bermudão.

A R2 vai implantar um Padrão de Qualidade na publicidade local. Em breve.Pensando grande. Pensando diferente. Pensando o futuro daqui a dois segundos [que já futuro, certo?]

Uma idéia não é grande porque acontece em São Paulo ou Nova Iorque. Ela é grande porque é idéia.

Não conheço o modus operandi das outras agências. Conheço da minha. Que muda a cada dia.

Entendo que somos todos cachorros puxando um grande trenó – o importante é ser o primeiro que vê todo o horizonte a frente.

O resto só vê rabo abanando na cara. [Ah... o Fusca é o New Beatle].

VARAL- Fale um pouco sobre o mercado de publicidade de Manaus?

O nosso mercado é singular. Eminentemente varejista. E o empresário é muito mal tratado.

Por conta de nossa localização geográfica e nossas saídas exíguas – somente por água e ar – temos um atraso histórico em relação as capitais do sul e sudeste, de um modo geral.

Mas o  trabalho de renovação do pensamento não começou agora. Começou tempos atrás e a coisa tá caminhando.

Antes o pensamento era oferecer o possível ao empresário. Hoje é preciso oferecer o necessário, o que é indispensável, o novo na comunicação de produtos e serviços.

E ir além – novas mídias, guerrilhas, twitter, hot sites etc.

Existe uma tênue linha entre possível e necessário. Com o advento da Internet a coisa fluiu mais e vai caminhar rumo a profissionalização. Mesmo que demore, vai acontecer, porque já vem acontecendo.

Hoje profissionais como Marcicley Rego, André Nishiwaki, Josiney Encarnação fazem a diferença, porque pensam diferente. Existem muitos outros, na R2 tive a sorte de reunir talentos: o Abe, a Ana, o Marcos, o Ricardo Bagre [um matemático por formação e um grande publicitário por vocação].  Estamos ajudando nessa caminhada, que é duríssima.

Quem é de bem, mesmo o concorrente, tem que pensar assim.

VARAL- O que você avalia na hora de contratar um profissional de criação?

Vejo só uma coisa: a chama. Uma coisa que não é percebida a todo momento. Aquela vontade de ir em frente. De fazer publicidade criativa e funcional.

Sou dureza. Sou exigente. Difícil. Sou chato pra caralho. Quem tá comigo é porque gosta: de publicidade e de mim.

VARAL- Sua agência tem planejamento? Qual a importancia deste profissional para o resultado final da campanha?

Tem: eu, Nishiwaki e Ricardo, Abe, Ana, Josiney e Marcos. Todos participam. Importância total pra área.

Mas nem toda campanha recebe o planejamento que merece, seria mentiroso se dissesse o contrário.

Não valeria de nada o que disse acima.

Entrevista do Mês: DANIEL DE TOMAZO 11, 05, 2009

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Olá querido leitor do Varal, 

A entrevista deste mês demorou um pouquinho, mas valeu a pena. O nosso entrevistado é Daniel De Tomazo, Diretor de Planejamento da JWT (confira o currículo do moço logo abaixo). Confesso que fiquei um pouquinho intimidada. Eu, recém encarregada do métier de planejamento, função que nunca pensava assumir, fiz a ponte entre as dúvidas da equipe do Varal e De Tomazo. Espero que vocês gostem e comentem bastante. Valeu, DDT :)  

Quem é:

Daniel De Tomazo é Diretor de Planejamento da JWT, onde é responsável por clientes Ford, Coca-Cola, Cadbury-Adams, Nestlé, Boeringher e Bayer. Iniciou sua carreira como estagiário na Loducca, em 1998, onde trabalhou para marcas como Coca-Cola, Coca-Cola Light, Sprite, Harley Davidson, Hereshey’s e HSBC, deixando a agência como gerente de planejamento. Na DM9DDB, foi responsável por clientes como Banco Itaú, Philips, Honda, Lycra e Palm. Na JWT desde 2005, participou ativamente do processo de reestruturação da área de planejamento e da agência como um todo. Em 2008, foi apontado pelo Meio&Mensagem como um dos Trinta under 30: profissionais de comunicação com menos de 30 anos e potencial para serem líderes da indústria. Além disso, Daniel é Vice-Presidente do Grupo de Planejamento, foi coordenador do Bootcamp, curso de planejamento de comunicação da Miami Ad School/ESPM e professor da Lemon School. Participou da revisão técnica do livro “Verdades, Mentiras e Propaganda” de Jon Steel. 

 

VARAL- Em nossa cidade (Manaus-Amazonas- Brasil), a maioria dos alunos de publicidade se encaminha desde cedo para as funções da Criação. As demais áreas, como atendimento e planejamento não chamam tanto a atenção e, em nosso caso, o atendimento acaba muitas vezes desempenhando o papel do Planejamento, principalmente nas pequenas e médias agências. Essa também é uma realidade em São Paulo? Qual sua opinião sobre essa aparente falta de atenção sobre a função do Planejamento dentro do processo criativo?

DDT- Acredito que planejamento precisa, em toda agência, de profissionais dedicados exclusivamente a ele. Isso não quer dizer que outros profissionais não tenham capacidade de fazer esse trabalho ou contribuir com ele. Mas quando tem gente cuidando só do planejamento, é mais provável que ele seja bem feito. Além disso, é mais fácil articular a contribuição de todas as áreas. 

Entre as maiores agências, todas hoje têm uma estrutura dedicada exclusivamente ao planejamento. Mesmo agências menores, muitas delas já contam com planejadores que não dividem a função com outras atividades. Há 10 anos atrás, isso não era assim. O mercado amadureceu, os clientes começaram a exigir, o Grupo de Planejamento se estruturou e assim a disciplina cresceu. Acho que a atenção em torno do planejamento cresceu muito por tudo isso. 

Um último comentário: acho que o espaço do planejamento não tem a ver com o tamanho do mercado ou da agência. Gente que conhece e tem experiências positivas faz questão de trabalhar com planejamento. É uma coisa mais cultural. Em Porto Alegre, por exemplo, é um mercado local em que um monte de agências tem planejamento. 

VARAL – Gostaria que você descrevesse sua rotina de trabalho como Diretor de Planejamento. Como é sua dinâmica de trabalho? Você possui alguma peculiaridade desenvolvida em sua vivência no cargo?

DDT- Idealmente, o planejamento precisa desempenhar algumas tarefas diferentes. A primeira delas é entender as coisas. Na prática, isso é estudar o que está acontecendo com as nossas marcas, com as pessoas e com o mercado em geral. Ou seja: pesquisas, estudos, informações e tudo mais que ajude a entender os problemas que nós estamos lidando. Depois que você entende um problema e precisa de uma solução para ele, outra tarefa importante é imaginar. Desenhar uma estratégia, criar um conceito, escrever um briefing, criar ações com outras áreas da agência: todas as coisas tem a ver com imaginação. Pra termirnar, conversar é uma tarfa fundamental, por incrível que pareça. Afinal, transmitir um briefing para a criação ou fazer uma apresentação para um cliente são coisas fundamentais, já que o trabalho não acaba no planejamento. 

VARAL – Antigamente o planejamento tinha uma “receita pronta” no sentido de escolha dos meios e veículos. Poucas eram as mudanças no mercado e poucos eram os fornecedores. Como você vê hoje, o papel do planejador em um mercado cada vez mais voltado para o que se chama de Below the line, onde o planejamento é responsável também pelo desenvolvimento de ações promocionais, eventos e campanhas de comunicação deste tipo?

DDT- Acho que o papel do planejador é, antes de pensar em mídias ou canais, pensar no que pode fazer as pessoas terem vontade de se envolver com uma idéia. Não importa se é um comercial de TV ou se é um plano com inúmeras mídias: se as pessoas não quiserem se envolver com a idéia, ela vai ser ignorada. Escolher os canais certos é importante, mas pensar no envolvimento das pessoas em termos gerais é muito mais. 

VARAL- Muitas empresas utilizam as mídias socias (blogs, Twitter, Orkut, Youtube, etc) como canal de relacionamento com clientes e prospects, lançamento de produtos, serviços e demais fins de comunicação. Então, como você pensa as mídias sociais na elaboração de um planejamento? Você acha que elas estão conquistando um espaço cada vez maior devido ao contato mais instantâneo com o público-alvo?

DDT – Acho que as mídias sociais são bacanas por muitos motivos: são envolventes, tem muita coisa interessante, são rápidas, novas e por aí vai. Assim como o cinema também é muito bacana. Assim como a TV e o Rádio. Assim como toda mídia pode ser. Por isso, acho que é menos importante o planejamento estratégico ficar preso a essa ou aquela mídia. Mais importante é pensar no envolvimento em termos mais gerais. É óbvio que essa questão é fundamental para o planejamento de mídia ou canais, mas essa é outra história. 

VARAL – Existe alguma diferença entre o briefing da criação e o do planejamento? No caso do Planejamento, o que você considera como as características principais de um bom briefing?

DDT- Na verdade, o brief criativo (o documento que é usado pela criação no seu trabalho) é escrito pelo planejamento. Não existe um “brief de planejamento”, mas sim um brief do cliente para a agência e um brief do planejamento para a criação, que é o tal do brief criativo. Acredito que esse brief, para ser bacana, ele precisa ter um problema claro para ser resolvido. Tem muita gente que acredita que nada é mais inspirador do que resolver um bom problema. 

VARAL – Quais as suas dicas (atitudes, sites, livros, etc) para as pessoas que desejam seguir a carreira de Planejamento?

DDT- O mais importante é começar a se familiarizar com a área. Um bom ponto de partida é o blog do GP (www.grupodeplanejamento.com.br), com artigos, propostas de cursos, eventos e até algumas vagas. Outros blogs que eu gosto de ler são From the Head of Zeus Jones (www.zeusjones.com/blog) e Brand New (www.garethkay.typepad.com). Tem também um livro muito bacana, chamado “A Arte do Planejamento: Verdades, mentiras e propaganda” de Jon Steel. Foi escrito há uns bons anos, mas continua sendo bacana. Sobre esse papo de idéias com as quais as pessoas tenham vontade de se envolver, eu e o Ken Fujioka fizemos uma apresentação curtinha em 2007 (www.youtube.com/watch?v=MnV-uHU__D0). O meu SlideShare também tem um par de apresentações que eu já fiz por aí (www.slideshare.net/ddtomazo).

Varal 2009 e ENTREVISTA COM GELSON LEITE 19, 01, 2009

Posted by laufranco in Entrevista, Varal de Manaus.
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Já faz 19 dias que o ano começou, mesmo assim a equipe do blog Varal deseja um feliz 2009 para todo mundo que nos acompanha.

Neste ano, queremos um blog com mais participação do leitor, mais conteúdo local,  cobertura própria de eventos e portfólios dos profissionais locais, agências e estudantes .

Assim, contamos com sua contribuição, com cases, trabalhos e notícias sobre comunicação em geral, seja PP, Design, Marketing, Relações Públicas, Jornalismo, Cinema, TV, Produção Cultural e, enfim, tudo o que for relacionado à comunicação.  Recebemos em média 300 acessos diários de uma público segmentado, o que é uma boa oportunidade para você anunciar uma vaga na sua agência, seu evento, uma idéia… é só mandar para varalideias@gmail.com

E para dar um gostinho do que está por vir, nosso primeiro conteúdo próprio deste ano será a entrevista (confira abaixo) com Gelson Leite redator com mais de 20 anos de trabalho e centenas de prêmios.

 

Estenda suas idéias.
Jaime Ohana, Laurianne Franco e Wilson Rocha.

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ENTREVISTA COM GELSON LEITE

 

VARAL – Conte um pouco de você e de seu histórico profissional.

- Meu nome é Gelson Ricardo Leite Oliveira. Sou paulista, tenho (quase) 51 anos. p10004232Estou na propaganda desde o início dos anos 80. Comecei como revisor de textos de diversas editoras. Na época eu já estava formado em Letras. E fazia o primeiro ano de Direito, atendendo a insistentes pedidos da família. Como sempre gostei de escrever e, por isso, arriscava melhorar os títulos e textos que eu revisava. Daí, fui convidado para ser redator de propaganda. Na época, eu trabalhava na revista Construção, da Editora Pini. Foi assim que criei meus primeiros anúncios.

No início, trabalhei em pequenas agências como na Branco & Sinclair, que logo depois se transformou em Abakerli &  Amaral, uma agência muito talentosa, em Alphaville, onde tive e oportunidade de ganhar meu primeiro prêmio com o cliente Coopers, hoje ICI/Welcome, uma empresa inglesa que possui produtos como o Triatox, um carrapaticida para bovinos, entre outros. Na época era preciso mostrar que o produto possuía tradição, que passava de pai para filho. Foi então que criei o comercial com um titulo pra lá de ingênuo (O Menino e a Vaquinha), que mereceu ser finalista do prêmio Profissionais do Ano. Ainda na Abakerli & Amaral, tive a oportunidade de participar do lançamento de Alphaville e realizar campanhas bastante dinâmicas para a indústria médica, o que foi uma experiência fantástica. Depois disso, passei por algumas agências de promoção e merchandising. Era o que eu buscava. O varejo sempre me fascinou  por ser um desafio, ou seja, ser criativo em varejo não é uma tarefa simples. Geralmente, as pessoas imaginam que varejo não tem segredo. Pensam que basta escolher um locutor (…de preferência com experiência em narração de rodeios e que mereça estar no Livro dos Records por sua espantosa capacidade de enfiar em 30 segundos um texto de um minuto e meio), acrescentar muitos efeitos sonoros de pancadas e mostrar o maior número possível (…ou impossível) de ofertas, sem esquecer do texto estilo “vide bula” no rodapé. Isso não é varejo, é informativo. E de péssimo gosto, aliás. É como eu costumo dizer, “final de feira-livre” -  quem grita mais alto atrai mais clientes.

Continuando a minha jornada, outras oportunidades surgiram, até que me encaixei na Publicidade Archote, agência  grande amigo Pedro Cesarino. A Archote era – e ainda é – a maior agência de anúncios classificados do pais, tanto que até hoje ela mantém o slogan: Para anunciar em qualquer lugar do planeta, disCArchote.  Além disso, ela também domina o mercado imobiliário paulista. Naquela época, a idéia do Pedro era de capacitar a agência para o atendimento de contas de todos os segmentos do mercado e com absoluta criatividade.  Para resumir, em meados do segundo ano, já tínhamos quase 40 premiações, entre colunistas, profissionais do ano, prêmio do Jornal do Brasil (o famoso JB ), Prêmio Comtexto e outros. Contas como Dantop, Cerveja alemã Dab, o Jornal Estado de São Paulo, Fernandez Mera foram surgindo e permitindo a existência de jobs cada vez mais interessantes, com destaque na mídia. E isso começou a chamar a atenção de outras agências, até que um sonho se realizasse: trabalhar em uma das gigantes paulistas, ao lado de colegas renomados. Foi quando surgiu a oportunidade de um contato do querido Arnaldo Escolano, Diretor de Criação do Departamento de Promoção da Salles Inter-Americana de Publicidade, na época. Foi um namoro que durou mais ou menos nove meses. Acho que ninguém tem dúvida do quanto é difícil ir para uma “grande agência grande”. A Salles procurava um redator e um diretor de arte e pela projeção adquirida com as campanhas criadas para algumas contas da Archote, a sorte havia batido na minha porta.

Alguns meses depois, lá estava eu, no 3º andar da Salles, na Borges Lagoa, Vila Mariana. Eu integrava apenas uma das 11 duplas da agência, mas aquilo era o céu. Grandes mestres da propaganda e contas como Knorr, Brastemp, Ford, Bradesco, Novotel,  Refinações de Milho Brasil… Dá pra imaginar? Não nego que as pernas tremeram, mas era isso o que eu queria. E o objetivo principal era e sempre foi crescer na profissão. E não havia como permanecer do mesmo tamanho. Arnaldo Escolano, Eric Nice, Neil Ferreira e tantos outros colegas famosos faziam da Salles uma incrível grande escola de propaganda. Não me esqueço do Neil… Ele entrava na sala e dizia, por exemplo: - E o outdoor? Depois tomava o papel das mãos dos redatores, sem olhar para o texto e complementava, balançando a folha como se estivesse analisando o peso: - Tá muito pesado, outdoor é mídia de apoio. Curto e grosso. Era impossível não aprender muito com ele. A Salles, pelo seu porte possuía todas as ferramentas necessárias para a realização de grandes campanhas.

Depois de alguns anos, chegou a hora de mudar. Não foi fácil, mas era necessário. Os publicitários já não representavam a classe mais bem remunerada do país. O Brasil passava por crises e a inflação estava sem freios. Voltei, então, para a Archote, em busca de mais estabilidade. Ficou saudade? Sim, mas fazer o quê?

Algum tempo depois, resolvi “seguir a carreira solo”. É que durante anos fiz dupla com meu irmão (de sangue), o diretor de arte, Ton Leite, que continua em Sampa, mandando bem como sempre.

Já estávamos juntos há tanto tempo que os desafios foram desaparecendo. Tornou-se praticamente impossível medir nossas potencialidades. E isso foi algo que deu certo. Descobri que a convivência havia me ensinado ir além da redação de propaganda. E o mesmo aconteceu com ele. Hoje, meu irmão é diretor de criação. Eu também já fui por duas vezes, mas quando percebi que estava deixando de criar para cuidar do setor de hortifrutigranjeiros (abacaxis, pepinos etc), optei por sentir prazer novamente e seguir o que me dizia meu falecido avô: - Faça o que você gosta e pare de trabalhar.

Depois de um bom tempo na velha e boa Archote, resolvi realizar um desejo antigo: conhecer o Amazonas. Para isso, enviei meu currículo e portifólio para as agências de Manaus (naquele tempo, só se destacavam a Saga e a Oana – hoje são muitas). A Saga se interessou pelo meu trabalho. E logo aterrissei por essas bandas. Foi uma experiência profissional excelente. Lembro-me que vencemos a concorrência para o lançamento do Amazonas Shopping, com o tema A EMOÇÃO ESTÁ PRESENTE. Foram cinco agências concorrentes, mas o “Papai Noel mendigo” (personagem central da campanha) trouxe presente só para a Saga. E ainda fomos finalistas do Profissionais do Ano. Quer mais?

Para terminar, aí veio a fase ruim. Por questões familiares precisei deixar Manaus e retornei mais uma vez para a Archote, onde fiquei por mais alguns anos. Depois, fui para a Tríade, onde assumi como diretor de criação, atendendo contas bastante interessantes como Carrefour, Toyota, Avon etc. Isso ocorreu um pouco antes da momentânea fusão com a Talent. Foi uma boa experiência, mas eu sentia que precisava tentar algo novo. Na verdade, eu já não agüentava mais levar “tapinhas nas costas”, seguidos de, “parabéns”, “linda campanha”, “o cliente adorou”, “essa é pra prêmio” etc. Reconhecimento é um pouco mais do que isso. Além disso, o mercado estava se tornando truculento e vivia quase sempre de cara fechada. Então, montei um pequeno estúdio publicitário, o Gente Q Cria. Nesse período, recusei algumas propostas e segui adiante, animado pelo sucesso de um jornal de varejo que eu havia criado, o Tem de Tudo. Em paralelo, para reforçar o recall do jornal, criei também a sua versão eletrônica, o Programa de Rádio “Tem de Tudo” – puro varejo, ofertas e mais ofertas. Eu me divertia muito. E o sucesso era tanto, que por mês o numero de anúncios crescia, em média, 35%.

Tudo estava indo de vento em popa até que perdi meu único filho com 10 anos (do primeiro casamento). Isso é totalmente contra a natureza, é algo que ninguém espera. Aí foi difícil reencontrar o equilíbrio e, conseqüentemente, a alegria original. Como se não bastasse, quase 2 anos depois, por pouco não perco minha nova esposa, grávida de meu outro filho. Mas graças a Deus tudo não passou de um enorme susto. Mesmo assim, era hora de dar um basta. Manaus, aí vou eu! E foi assim que voltei para cá com minha esposa, meu filho de apenas alguns meses e minha filha (que é minha enteada, …mas ai de quem disser que ela não é minha!).

Em 29 de agosto de 2005 iniciei na Oana. Foi muito bom ter ficado sob os cuidados da família Costa (Edmar, Edson, Ernesto e Caio Costa) e ter convivido com os profissionais daquela casa. Entre as conquistas, até chegamos a ser finalistas do Festival Mundial de Publicidade de Gramado. Recebemos a Árvore de Prata do Prêmio Abril de Publicidade. Conquistamos Prata no Voto Popular e diversos Melhores da Propaganda Meio & Mensagem. De fato, criamos e produzimos boas peças e boas campanhas. Em maio de 2007, tornei-me diretor de criação, mas da Genius, de Cuiabá e São Paulo. Nem é preciso dizer que tive de enfrentar a família diante de minha decisão. Além disso, nem mesmo eu me adaptei à região e às condições da agência. Depois disso, passei por outras duas agências. Em uma delas, até conquistamos o título de finalistas do Profissionais do Ano, com o VT “Salim Saieu!”, criado para a Unimed Cuiabá. Mas não era lá que eu deveria ficar. As bússolas – como sempre – apontavam outra vez para o Norte. Resultado: em fevereiro de 2008 retornei a Manaus com a turma toda. E hoje estou na Saga.

Costumo brincar, dizendo que quando cheguei aqui, eu era paulista. Pouco tempo depois, me tornei “paulistense” (paulista + amazonense). Hoje sou “amazonista” (amazonense + paulista). Desse jeito, um dia viro amazonense. Meus filhos já estão com sotaque, maninho. Então, bora!

Chega, não é? É nisso o que dá perguntar o histórico de alguém com quase 51 anos de vida e 30 de profissão. Como dizem os paulistas do interior, “Tem causo pra mais de metro”.

VARAL – E quais os desafios da profissão?

- São muitos, mas o maior deles é o comprometimento com a agência, com os clientes, com os jobs, com os resultados (recall) do cliente e, é claro, com a própria carreira. É como dizem, “se cochilar, o cachimbo cai”. Você precisa estar sempre antenado, senão vai comer poeira, com certeza. Por isso, é quase inevitável não pensar em propaganda 24 horas por dia. Tem noites que acordo para escrever. Idéias podem surgir a qualquer momento. Na semana entre o Natal e o ano novo, por exemplo, eu estava na piscina com minha família, quando fui “acordado” por minha esposa. “Alô, Terra chamando”, ela disse. De novo, lá estava eu…, dessa vez pensando na fase 2 da campanha de regulamentação de planos de saúde, da Unimed Manaus. Nessa profissão dormimos e acordamos fazendo propaganda, principalmente os profissionais da área de criação. Não importa se é fim de semana, feriado, Natal ou qualquer outra data. Além disso, é preciso ouvir o barulho da caixa registradora, o famoso “BLIN!”. É isso mesmo. Quando você é um profissional de uma agência, jamais deve esquecer que as suas idéias ajudam a manter a casa onde você trabalha. Afinal, é disso o que as agências de propaganda vivem, não é? Não dá para pensar só no seu lado…, nas idéias, nas campanhas, nos prêmios e em toda projeção profissional que isso tudo possa trazer. A agência deve vir em primeiro lugar. É importante ser receita e não despesa. E isso não é uma tarefa fácil, pode acreditar.

Um outro desafio é que, no Norte, ao contrário do que alguns podem imaginar, fazer propaganda é uma tarefa que exige ainda mais comprometimento, porque aqui vendemos basicamente serviços e muito poucos produtos. Estamos diante de um paredão com a palavra varejo escrita em letras garrafais. E uma campanha de varejo motivadora, verdadeiramente estimulante não é nada fácil de conceber. Como sabemos, ela deve fazer o consumidor se decidir pela compra de um determinado produto ou serviço. Do contrário, estaremos, por exemplo, transformando os brakes comerciais em intervalos para o consumidor ir ao banheiro ou tomar um cafezinho, o que é absolutamente desonesto com o mercado, clientes e consumidores. Qual é a nossa missão, enquanto publicitários? Não é a de cuidar das marcas, produtos ou serviços que agenciamos, tornando-os conhecidos do target por suas qualidades em geral? É marketing puro, é a arte de fazer o consumidor se apaixonar por um determinado produto. Então, não há desculpa para quem faz o contrário. Como profissional de propaganda esse é o meu maior desafio. Por isso, eu sempre digo “ou você é publicitário ou apenas trabalha em uma agencia de publicidade”. É como o office-boy que decidiu sair da agência e, quando perguntaram o motivo, ele respondeu: - Cansei de ser publicitário

A propaganda em Manaus evoluiu sensivelmente nos últimos 15/20 anos. Antes o que se via eram campanhas de certa forma ingênuas, basicamente informativas, sem recursos de produção. Hoje, o mercado está mais ativo, a cultura dos clientes de diversos segmentos mostra sinais de uma evolução significativa. Conseqüentemente, os criativos das agências, em parceria com os profissionais de atendimento, estão conseguindo apresentar e aprovar campanhas com conteúdos bem mais interessantes, ou seja, com idéias. Este é um outro desafio: contribuir para que a propaganda de Manaus mereça destaque em todo o Norte e vá além de suas fronteiras. Durante minha curta história enquanto publicitário atuante em Manaus, posso mencionar, por exemplo,  uma conquista que colocou o Amazonas e Manaus em evidência, como trazer para cá o título de finalista do Festival Mundial de Publicidade de Gramado, com o cliente Shizen Veículos, da Oana. O que estou querendo dizer é que a propaganda amazonense precisa mostrar a cara e conquistar também prêmios nacionais e internacionais e não somente aqueles que estão restritos à região norte. Isso reforça a credibilidade na nossa propaganda. Mas para isso é preciso ousar, não poupar criatividade e recursos de produção e esbanjar qualidade. Chegaremos lá, pode escrever. Tudo a seu tempo.

 

VARAL – E qual como seria o “atendimento dos sonhos”?

- Isso é utopia. Não existe o atendimento dos sonhos, como também não existe o criativo, o RTV, o mídia dos sonhos. Em nenhuma área existe o “profissional dos sonhos”. O que existe é o profissional mais bem preparado, comprometido com o que faz, que não se permite errar (…e erra pouco por causa disso) e até não se perdoa quando deixa de ser ou fazer como planejou. Eu já trabalhei com profissionais de atendimento muito bem preparados. São pessoas dotadas de um profundo conhecimento sobre tudo o que se relaciona ao cliente: produtos ou serviços, mercado, target, concorrência, objetivos, cases etc. Suas explanações sempre revelam com objetividade “um container” de informações valiosas, que irão simplificar o dia a dia de toda a agência. “Talvez”, “quem sabe”, “pode ser”, “eu acho”, “não sei”, “é melhor pesquisar”,  “ele não mencionou”, “posso perguntar”, são palavras e expressões que jamais sairão se suas bocas. É sim, sim e não, não. Enfim, sabem tudo, abastecendo os criativos com possibilidades quase infinitas para o surgimento de grandes idéias. Mas isso exige estudo, quilometragem, muitos anos “de janela”. E o mesmo pode ocorrer com todos os profissionais. Só depende de onde cada um quer chegar. Oportunidades existem. Basta ter o desejo. Quer um exemplo? Perdi meu pai aos 5 anos. Precisei trabalhar desde cedo para ajudar nas despesas da casa. Na adolescência, fui datilógrafo de imobiliária da periferia de São Paulo, trabalhei até em empresa de seguros. Mas eu já gostava de escrever. Aproveitava a hora do almoço para redigir crônicas e poesias. Eu só não sabia se escrevia bem. E isso me incomodava. Então, eu lia, apaixonadamente, e sempre com uma visão absolutamente critica do meu “trabalho”. Eu nunca estava satisfeito. O que eu lia era sempre melhor do que as coisas quer eu escrevia… Desde então não parei de escrever. E aí você pergunta: - E agora você está satisfeito com o que escreve? Não, de jeito nenhum. E graças a Deus por isso! Porque essa insatisfação sempre foi o meu “combustível”. É ela que me faz buscar o aperfeiçoamento a cada novo texto. Acredita que por causa disso viajei para Portugal, Espanha, Alemanha, México, Argentina, Uruguai e até para a Finlândia? Tudo para comparar maneiras de se colocar o pensamento criativo. E aí, alguém pode até pensar que quase aos 51 anos eu não tenha mais tanta motivação. Pois saiba que tenho, e muita. Afinal, não estou morto. E, para quando estiver, já estou até escrevendo algumas crônicas que espero sejam unidas e transformadas em um livro, cujo titulo será “Quando Morrer, Quero Ir Na Janelinha”. Só espero que lá no céu alguém me empreste um computador ou que no inferno exista pelo menos uma máquina de escrever. Senão a vida…, quer dizer, a morte vai ser um tédio.

Ah, se eu  puder, gostaria de falar mais uma coisa…

VARAL – Claro.

- Nessas minhas duas “estadas” em Manaus, percebi 2 coisas que, se deixassem de existir, melhorariam muito a nossa  propaganda: aqui, geralmente o redator cria e o diretor de arte “layouta”. Essa não é uma boa fórmula. Em primeiro lugar, porque não existe um redator tão especial assim, ninguém é supremo a ponto de dizer: - “Deixa que eu crio e você faz o layout”. Nós temos diretores de arte muito bons em Manaus e já tive a oportunidade de trabalhar com algumas feras, que estão crescendo a cada dia. Evidentemente, não merecem viver esse tipo de situação, sempre esperando para fazer o layout dos “insuperáveis” redatores. Isso deve acabar. As agências e diretores de criação precisam enxergar duplas de trabalho. Deixei Manaus, voltei e a situação é a mesma. Outra coisa é o desprezo com o brainstorming. Não conheço maneira melhor (e o mundo da propaganda também não) de fazer idéias fluírem. Todas as vezes que participei de uma reunião de “brain”, voltei para a minha mesa, vibrando com uma idéia e sabendo exatamente o que era preciso redigir. E o mesmo aconteceu com os diretores de arte com quem fiz duplas. Resultado: todos ganhamos, a agência, os clientes, os fornecedores, porque não perdemos tempo com ações isoladas que prejudicam a qualidade do trabalho. Entretanto, devo acrescentar que não há “brain” sem briefing. Nesse caso não é brainstorming, é cabra-cega.

 

VARAL – Fale um pouco sobre suas referências na literatura e na música….

 Eu sempre preferi autores brasileiros, principalmente aqueles com obras em linguagem regional como João Guimarães Rosa (1908-1967). Como brasileiro que sou, acho fascinante as diferentes formas de expressão de nosso país. Na música não é diferente. Marlui Miranda e Elomar são excelentes exemplos. Obras como essas têm a capacidade de registrar para sempre o sangue brasileiro, envenenado por modismos e gírias sem a nossa personalidade verde e amarela. Filmes e mini-séries produzidos sob a mesma linguagem também me agradam muito, assim como obras de arte que retratam toda a ingenuidade e beleza das pessoas simples do Brasil. Recentemente, escrevi um curta metragem, intitulado Nas Águas do Rio Curumim, todo em linguagem típica do Amazonas. Aí alguns trechos:

“Boataria ou não, eu é que não ia segurar bico-de-pato na rabeada só pra ter certeza que a esporada era doída. Carecia enredar de lá, zimpado feito calando, mas consegui não. Mofinei de medo. E pra interar a situação, o aviso da presença do morto foi se achegando e se achegando. Logo encostou no barranco. Égua!”.

 

 “Mais de duzentos quilos…, quase três metros…! Sabe o que é isso, Chibé? Teve um tempo que dava era gosto de ver. Um boiava aqui, outro ali, um bubuiava mais adiante… A gente só ia no cheiro deles. De vez em quando, puxava um, no anzol ou na zagaia. Salgava o bruto. Fazia manta. Era alimento pra barca toda. Mas ficou só nisso não. Um dia, sei lá vindo de onde, se assentou por aqui um tal de coronel-de-barranco, dizendo que pirarucu valia mais fora d’água do que dentro dela. E o pior é que ninguém duvidou. Aí, se iniciou a apofiação. Era só peixe grande não. Valia também quem pegava era mais. Nem bodeco tinha perdão. E assim foi, até que veio uma lei, querendo dizer o que se podia ou não. Mas tudo já tava na casa do sem jeito. Tinha mais valência não.”

 

Tem quem não goste desse estilo, mas aí sua alma, sua palma, seu coração, sua pindoba!

 

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Agradeço ao Roupa no Varal pela oportunidade e aproveito para deixar aqui o endereço do meu blog, que utilizo exclusivamente para registrar criações recentes dessa minha nova etapa de vida profissional. Um grande abraço a todos! http://gelsonleite-redator.blogspot.com